segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ENTREVISTA COM LÚCIA SANTOS



Quem sentiu falta das minhas mal traçadas linhas já pode parar de chorar! 3 meses depois da minha lamentosa e lamentável postagem sobre o dia dos pais, volto entrevistando a poeta Lúcia Santos, com quem tenho conversado bastante através do msn e orkut ( salve tecnologia! ) e trocado algumas figurinhas. Com três livros de poesia na bagagem: QUASE AZUL QUANTO BLUE, BATOM VERMELHO E UMA GUEIXA PRA BASHÔ, Lúcia nasceu em Arari-MA, morou dois anos em Belo Horizonte, oito anos em São Paulo e atualmente reside em São Luís. Participou de antologias, espetáculos de poesia falada e festivais de música. E antes que eu me esqueça ( e seja imperdoável ), Lúcia é irmã do cantor e compositor Zeca Baleiro. Juntos fizeram as músicas ''Afins'', gravada por Gil Melândia , ''Farsa'', essa recentemente gravada por Margareth Menezes, entre outras. Dona de uma escrita peculiar, Lúcia passou a fazer parte do meu imenso grupo de poetas favoritos!
1- Você é poeta ou poetisa?
Tanto faz, mas prefiro poeta. Acho mais forte, mais sonoro.
2- Como e quando você se tornou poeta? Sempre quis isso?
Acho que ninguém deseja ser poeta, simplesmente acontece. Já na adolescência eu escrevia umas coisinhas ingênuas, mas foi a partir dos vinte anos que comecei a levar esse negócio a sério.
3- Pra quê e pra quem escrever?
Não sei. Escrevo por necessidade porque não sei fazer outra coisa. Gostaria que as pessoas me lessem, mas tenho meus leitores seletos, como você, por exemplo.
4- Se dedicar à literatura é garantia de lucro financeiro?
Se dedicar à literatura é garantia de passar a vida inteira na corda bamba.
5- Seu último livro ''Uma Gueixa pra Bashô'', é composto por hai-kais. É mais fácil escrever poemas curtos?
Aos leigos pode parecer mais fácil, mas é muito mais difícil. Sintetizar uma ideia, um sentimento, uma impressão em apenas 3 versos é um desafio, um desafio bom.
6- Como se deu seu interesse por esse tipo de poema?
Depois que li o livro ''Vida'', do Leminski. A biografia do Basho me encantou, assim como seus versos precisos.
7- Tem algum outro livro em andamento?
Tenho vários, de poesia e infantis. Difícil é publicá-los.
8- Quem você costuma ler? Sofreu forte influência de algum poeta?
Já li vários poetas, as influências são muito diluídas. Mas destaco ''as'' poetas Adélia Prado, Hilda Hilst, Alice Ruiz, Emily Dickinson, Sylvia Plath, etc.
9 - Torquato Neto escreveu que ''a poesia é a mãe de todas as artes e das manhas em geral''. Você concorda?
Concordo. A poesia está na música, no teatro, na dança, no cinema... desde que tudo isso seja feito com cuidado e paixão, para que possamos chamar de Arte.
10 - Você também atua como letrista de música popular. Poderia citar seus parceiros?
São muitos: Adolar Marin, Anderson Firpe, Cássio Gava, Chico , Clarisse Grova, Daffé, Dudu Caribé, Haroldo Oliveira, Kana do Brasil, Jorge Macáu, Nosly, Rubens Kurin, Tutuca, Zeca Baeliro, etc.

11 - Como nascem suas parcerias?
Na maioria das vezes os compositores leem meus poemas e colocam música. Raramente faço a letra por encomenda, mas acontece.

12 - Com quem gostaria de fazer uma música?
Nunca pensei nisso. Talvez o Kléber Albuquerque, compositor que admiro.

13 - Quem você gostaria que gravasse uma música sua?
Sem dúvida, Zeca Baleiro, que apesar de tão próximo, nunca gravou uma parceria nossa.

14 - Quem você costuma ouvir?
Só pra citar o produto nacional, adoro os sambistas da antiga, como Sinhô, Ismael Silva, Batatinha, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Nelson Cavaquinho... Gosto de paixão de Sérgio Sampaio. Dos grupos, Totonho & os Cabra, Los Hermanos, Retrovisor, e intérpretes como Jussara Silveira, Rubi, Ozzetti, Ceumar, Miriam Maria.
Ah, não posso esquecer os rotulados ''bregas'' dos anos setenta, que eu adoro.

15 - Poderia citar escritores e compositores do Maranhão que merecem ser percebidos?
Nossa, são muitos! Poetas como Celso Borges, Laura Amélia Damous, Luís Augusto Cassas, Eduardo Júlio, Fernando Abreu, Salgado Maranhão, Paulo Melo Souza, Joe Rosa, Antonio Rezende... Compositores geniais como César Teixeira, Josias Sobrinho, Joãozinho Ribeiro, Chico Maranhão, e intérpretes maravilhosas como Rita Ribeiro e Flávia Bittencourt. Alguns desses já são reconhecidos nacionalmente.

16 - Como você analisa a atual situação do país?
Uma merda sem descarga.

17 - Você é religiosa? Acredita em Deus?
Não sou religiosa mas tenho minha fé. Simpatizo com a doutrina espírita, para mim a que se aproxima mais dos ensinamentos de Jesus Cristo.

18 - Qual sua opinião sobre as drogas?
Acho uma perda de tempo, de saúde, de grana, de tudo. Mas cada um faz da sua vida o que quiser, não é mesmo?

19 - Qual sua opinião sobre os gays? Você apóia a causa?
Não gosto de levantar bandeiras, acho chato. Respeito as escolhas dos outros e abomino preconceitos, só isso.

20 - Qual o papel da mulher na sociedade de hoje?
Gostaria de saber também (rs).

21 - As mulheres são mais seguras de si depois dos 40?
Boa pergunta. Em alguns aspectos sim. Em outros, continuamos agindo feito adolescentes tolas.

22 - Mulheres se apaixonam com mais facilidade que os homens? Sofrem mais? Levam a relação mais a sério?
Não sei. Conheço muitos homens que se apaixonam e sofrem e são fiéis. Mas eles estão sempre comprometidos com outras (rs).

23 - Quem é uma mulher bonita?
Minha mãe, pela doçura explícita.

24 - Quem é um homem bonito?
Meu pai, pela sensibilidade discreta.

25 - Artistas costumam ser mais depressivos que pessoas comuns?
Talvez. Os artistas tem a sensibilidade aflorada, mas não gosto muitos desses estigmas: artista é drogado, é depressivo, é neurótico... A maioria é (rs), o que não quer dizer que todos sejam.

26 - Você sempre omite a informação de que é irmã do Zeca Baleiro? Qual o motivo?
Não sei se omito, mas prefiro que meu trabalho chegue até as pessoas antes da referência. Tenho orgulho do Zeca, ele foi uma influência forte pra mim, e sei que sempre terei meu nome ligado ao dele, isso é inevitável.

27 - As músicas que você fez com ele são suficientes para um disco?
Temos várias parcerias, mas não sei se são suficientes para um cd.

28 - Pretendem fazer um disco contendo apenas as parcerias de vocês?
Bom, o Zeca já me propôs de fazermos um cd, com minhas parcerias com ele e com outros compositores. É uma ideia que está amadurecendo.

29 - A internet virou ''morada'' da poesia?
O poeta Marcelino Freire disse numa entrevista que ''a internet está tirando a poesia da gaveta''. Isso é bom até certo ponto. Só espero que esse veículo tão democrático não acabe com o prazer da leitura dos livros.

30 - O que te dá prazer?
Sexo com amor, amigos com humor, família com ou sem briga. Uma rede com um bom livro. O escurinho do cinema, uma praia ensolarada.

31 - O que te dá nojo?
Gente mal-educada, do tipo que joga lixo nas ruas.

32 - O que você acha válido?
Válido? Envelhecer com dignidade, a exemplo dos meus pais.

33 - O que você acha desnecessário?
Tanta coisa. Regras e etiquetas são totalmente desnecessárias. O tempo que se perde com amores não correspondidos também.

34 - Gostaria de deixar algum recado para os leitores do meu blog?
Que leiam. A leitura ainda é muito importante, fundamental mesmo. Não só pra quem escreve, mas pra qualquer pessoa que queira ter um mínimo de informação.

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Agora um pouco da arte da Lúcia.
dias de sol me esquecem
flores guardadas nos livros
permanecem
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VIRA-LATA
se você não sabe
exatamente
o que perdeu
com certeza
haverá alguém
com faro
mais apurado
que o seu

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

MEU PAI, MEU FANTASMA

Passei o dia dos pais esse ano meio desconcertado. Não sou pai e posso dizer que não tenho um. Não, meu pai não morreu. Mas a ausência dele é tanta que resolvi extirpá-lo de minha árvore genealógica. Cresci numa casa onde só havia mulheres e um primo oito anos mais novo que eu.
Não sei bem o que é ter um pai. Minha mãe até hoje ocupa esse lugar. Meus leitores devem se lembrar de um texto que escrevi sobre a delicada e estranha relação que tenho com minha mãe. A pessoa que eu mais gosto, que eu mais prezo e que mais me desconserta. Incrível foi perceber isso recentemente. No último dia 5 pra ser exato. Percebi talvez, da maior maneira possível. Explico: após uma cirurgia, na data já mencionada, minha mãe sofreu uma parada cardíaca e foi parar na UTI.Minha tia havia anotado a notícia num pedaço de papel, para que minha avó, com problemas de saúde e idade avançada, não se abalasse com o acontecido. Fui pro banheiro e chorei um pouco, meio desnorteado. Depois saí pelas ruas meio sem rumo, com uma certa culpa por não ser o filho que minha mãe sempre quis que eu fosse. Graças a Deus, minha mãe está bem, se recuperando do susto que pregou em todos nós e que me fez refletir bastante sobre a família. Já afirmei várias vezes que a família é uma instituição falida, embora necessária.
Domingo, dia dos pais, no momento em que colocaram um vídeo com a formatura de uma prima, minha mãe saiu da sala e começou a chorar. Uma tia me culpou, alegando meu descaso com os estudos. Outra etapa de minha vida que não concluí e que já é de conhecimento dos meus leitores. Mais uma vez me senti mal. A mesma culpa, o mesmo desconforto. Nesse dia eu fiquei sob os olhares diretos de toda a família, que de certa forma, me crucificava por um erro que, creio eu, ainda pode ser remediado. Revoltado, ataquei vários parentes com minha saraivada de verdades que eles detestam ouvir e me desculpei com minha mãe que pedia que eu me acalmasse. Depois lhe perguntei se ela tinha vergonha de mim. Ela respondeu que não, embora eu não tenha ficado convencido. Mas confesso que foi um alívio saber que minha mãe ainda acredita no meu potencial como filho e como pessoa. Então lhe fiz a promessa de um dia vencer na vida, mesmo eu não sabendo como isso possa se realizar. Vocês devem estar estranhando que na minha postagem sobre o dia dos pais eu esteja falando sobre minha mãe. É que meu pai não passa de um fantasma, como diz o título desse texto. Não é um pai herói. Não tenha a menor intimidade com ele. Sei seu nome completo pq consta na minha identidade. Mas nem sei sua idade ao certo. Creio que ele esteja próximo dos 60. Meu pai nunca esteve presente nos períodos em que eu necessitei dessa imagem. Raramente aparecia, não ligava nem no natal nem no meu aniversário. Ironicamente, numa de suas raras visitas eu lhe presenteei com um par de sapatos novinhos, de pois de ver o estado quase que penoso em que ele se encontrava. Nem por isso odeio meu pai. Não há motivo pra isso, embora eu tenha plena consciência que muita coisa que passei poderia ter sido evitada se ele estivesse presente. Uma vez quando criança, vi um homem se despedindo do filho, que ia para a escola, com um beijo no rosto. Nunca esqueço aquela cena. Durante muito tempo invejei aquilo. Depois superei. Acho que o motivo é que eu mesmo me tornei meu pai, como escrevi recentemente nos seguintes versos: Eu sou meu / meu pai / meu filho / meu cofre / meu brilho...
Ainda hoje me sinto meio constrangido quando escuto histórias de pai e filho, vindas de meus amigos, que conscientemente ou não, me ajudam um pouco. Mas é bom ressaltar que não me considero vítima dessa ausência, como muitos pensam. Não me aproveitei disso para realizar minhas irresponsabilidades. Há famílias por aí, em que os pais são exemplos de boa conduta, mas os filhos resultaram num desastre. É certo que muitas coisas de homem tive que aprender sozinho, ou com amigos. E olha que não foi fácil, nem na teoria nem na prática. Demorei bastante a descobrir certas coisas.
A música ''Pai'' do Fábio Jr. não tem nenhum significado pra mim. Não é falta de sensibilidade. É excesso de verdade. Também não colecionei figuras paternas como é comum acontecer com pessoas que passam situações assim. Poderia ter escolhido alguns homens para tentar ocupar esse cargo, mas acho que não tenho vocação pra filho.
Então, pai, se algum dia você ler esse texto, não entenda como um apelo, um pedido para que você volte e tente recuperar o tempo perdido. Passei a infância e a adolescência como era pra ser passado. E cheguei até aqui muito bem, de modo que eu não acredite que precise de você agora.
Talvez isso seja um aviso, pois o destino gosta de nos pregar peças, e quem sabe um dia, por obra dele, você apareça na minha porta pedindo a minha ajuda.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O QUE NÃO SUPORTO

Um dos tópicos do Orkut, '' o que não suporto'', me deixava sempre frustrado por não caber tudo que eu queria expor. Então, fiz uma listinha básica...

HIPOCRISIA
Significa afetação de virtudes ou sentimentos nobres, ausentes na pessoa. Significa fingimento, falsidade. Tenho encontrado pessoas assim. Incrível como esse tipo de gente prolifera.
Eu costumo dizer: sou chato mas não sou hipócrita.


EXIBICIONISMO
Essa mania de andar pelas ruas fazendo de tudo pra chamar a atenção me causa náuseas. O pior é que muitas pessoas parecem gostar de quem anda desfilando por aí. Não quero dizer que todos devam se fechar, impreterivelmente, estar sempre de cara feia. Mas sair com carros velozes e furiosos, poluindo nossos ouvidos com músicas ridículas, ostentar beleza e músculos exorbitantes como se isso fosse uma qualidade primordial, etc, etc, etc... É de doer!


FALSO MORALISMO
Outra faceta humana que me incomoda bastante. Conheço pessoas que desejam estar num trono apenas por ser contrária a certos tipos de comportamento e opiniões. Só que essas mesmas pessoas, no fundo, sentem vontade de ter as mesmas opiniões e fazer as mesmas coisas, mas, por medo e hipocrisia ( olha ela aí de novo ), atacam os que conseguem ser o que são sem problema algum.


FANATISMO RELIGIOSO
Não tenho religião. Nem por isso sou ateu. Mas sinto raiva de quem quer a todo custo impor sua fé e suas crenças aos outros. E nisso os evangélicos são campeões. Tenho visto coisas que me deixam estupefato. Conheci gente que não assistia televisão, pois esta, segundo os pastores, eram produto do diabo. Sei de pessoas que nem sequer sabem ler mas andam com a bíblia debaixo do braço seguindo tudo o que falam os certinhos senhores que bradam suas besteiras nos púlpitos da igreja. Lugar que deveria dar um pouco de tranquilidade a quem frequenta, mas, que na maioria dos casos promove baixarias cômicas, como por exemplo exorcismos, entregas de objetos ( fitas, anéis, caixinhas ) fazendo os fiéis acreditarem piamente de que se tratam de coisas abençoadas por Deus.
Um dia, uma tia minha chegou na casa de minha com uma carta redigida por um pastor que alegava ter visto um anjo em seu quarto, maior que um prédio de 10 andares ( mas o anjo cabia no quarto ), alertando os fiéis para não assistirem a Globo por esta ser uma emissora do diabo.
A partir daí, ninguém mais na casa de minha assiste a Globo. Não estou aqui em defesa da Globo. Pouco assisto a essa emissora. Mas quero chamar a atenção para o que pode fazer o fanatismo.. Fora a mania de dizer que tudo é culpa do diabo. Se tem dor de cabeça é o diabo. Se tem dor de barriga é o diabo. Chulé também é diabo. Ou a mania de esperar que Deus resolva tudo, e o mais rápido possível. Deixem Deus e o diabo em paz, por favor!
Acho que eles precisam de férias. Sérias e merecidas férias devido às enormes responsabilidades que são jogadas sobre eles. Fora a curiosa sessão de ofertas, dízimos e derivados que são pedidos.
Igrejas cobram caro pela permanência em suas dependências. Como diz uma comunidade no Orkut: '' Pequenas igrejas, grandes negócios ''.


RACISMO
Essa prática de preconceito, infelizmente, está longe de ser banida. Ao contrário do que muita gente pensa, o racismo existe mesmo que camuflado. E é uma pena que muitos negros tentem não enxergar o que está diante de seus olhos.
Uma vez chamaram um conhecido meu, que é gay, de racista. Este respondeu que se fosse reunir todos os negros com quem ele já havia transado, o local onde eles conversavam não seria suficiente para colocar todo mundo. Ri à beça com essa história. Mas o assunto é sério. Graças a Zeus nunca me chamaram de racista, nem podem. Adoro negros. Também já transei com eles. Como eu poderia ser racista desse jeito? E vale lembrar que sou fã incondicional de Milton Nascimento,que é negro.
Uma vez escrevi um poema ''louvando'' um rapaz negro que havia sido fotografado para uma exposição chamada ''Peles Pretas''. Quem quiser ler, pode procurar no meu blog a entrevista que fiz com o fotógrafo Saulo Salles. O poema está lá.


LADRÕES
Corja desgraçada! Tenho aversão a esses canalhas. Embora eu tenha sido roubado poucas vezes conheço gente que vive sendo vítima desses infratores. E quando esses ladrões são também assassinos, a coisa fica pior. Muitas vezes matam impiedosamente, sem que a vítima tenha sequer reagido ao assalto. Penso que as leis criminalistas no Brasil deveriam passar por uma severa revisão.


BÊBADOS
Tive dois ou três porres homéricos durante minha vida. E lembro de não ter incomodado ninguém senão a mim mesmo. Tem coisa mais chata que sair pra tomar uma cervejinha e de repente surgir um bêbado te incomodando? Quando percebo que não aguento mais álcool no organismo, pago a conta do bar e volto pra casa sem aborrecer nem quem merece.


VIOLÊNCIA CONTRA ANIMAIS
Um dia, olhando as atualizações no perfil de Orkut de um amigo, deparei com uma foto em que dois adolescentes enforcavam um cachorrinho. Aquela imagem me bateu tão forte, me fez tão mal que perdi toda a vontade de acessar a internet naquele dia. Com tanta coisa boa pra fazer, esses desocupados se divertem maltratando seres incapazes de se defender. Essa gente deveria experimentar dar o cu, pra ver se conseguiam se tornar mais dóceis, mais humanos. Afinal, violência contra animais é ou não é crime?


FALTA DE RESPEITO
Falta de respeito ao idoso, ao mais jovem, ao deficiente físico, ao vizinho, ao gordo, ao magro, ao feio, ao bonito, ao alto, ao baixinho, ao pobre, ao rico, ao que tem QI elevado, ao que demora mais pra aprender as coisas, ao homossexual, ao bissexual, o transsexual,ao héterossexual.
Me refiro à falta de respeito ao ser humano em geral.


FALTA DE EDUCAÇÃO
Infelizmente muitos mal educados nem se dão conta que incomodam. Eu morro de vergonha quando percebo que estou passando dos limites e tenho certo vergonha de chamar alguém à atenção. Mas pessoas indiscretas, grosseiras e chatas me rodeiam aos montes. Parece que eu tenho um ímã que as atrai. Mas quando minha paciência estoura eu mesmo sou obrigado a descer do salto e ter que fazer um bafafá básico, principalmente quando esses metidos a besta pensam que não sei ser ignorante. Aí é que eles se enganam. Minha mãe e meus amigos que digam o quanto eu posso ser ignorante. Pisem nos meus calos e é melhor saírem debaixo. Afinal, minha educação depende da educação de quem me rodeia.


ESPIRRAR
É um alívio. Mas não gosto. Eu sou amigo íntimo da gripe. Fico insuportável quando estou gripado, meio anti-social. Por isso não suporto espirrar. Às vezes nem é preciso estar gripado. Basta uma poeirinha e pronto. Só ''me sinto bem'' espirrando quando estou sozinho. Espirrar perto de alguém, principalmente em ambientes fechados é de estarrecer! Quem já assistiu às minhas crises, quando em menos de um minuto consigo soltar uns quinze espirros seguidos, sabe do que falo.


ESPERAR
Coisa angustiante. Nem sei o que escrever neste tópico pois só a ideia de ter que esperar alguma coisa interessante pra explicar o motivo de eu não suportar esperar, já me deixa mal.
Sugiro que leiam a crônica '' Arte e fuga da espera '' do Affonso Romano de Sant'Anna. Ela é perfeita!


ACORDAR ATRASADO
Sempre gostei de ser pontual. Acho que, mais que uma qualidade que pode ser elogiada pelo outro, é uma característica que pode trazer paz de espírito. Sei da aflição de acordar atrasado e sair pela casa tropeçando em tudo, se vestindo e tomando café ao mesmo tempo. Fora o mau humor que isso gera. E a bronca do patrão ao chegar no trabalho.


TRÂNSITO CONGESTIONADO
Não sei se os automóveis estão muito baratos, a ponto de várias pessoas estarem comprando, ou as cidades estão crescendo demais, ou os órgãos responsáveis pela organização do trânsito não estão nem aí para quem perde horas parado num emaranhado de veículos, e estejam interessados sim, no dinheiro que arrecadam com as multas. Mas pra quem está voltando do trabalho, cansado, em pé e dentro dos ônibus lotados, a coisa é bem pior.


FILAS
Filas de banco, de matrícula, de fãs, de hospital, de doação de órgãos, filas pra pagar a prestação. Não importa! É horrível!


DEFECAR FORA DE CASA
Acho que é um problema psicológico meu. Não consigo mesmo. Tenho amigos que sentem a mesma coisa. Talvez só uma diarréia das brabas possa ''curar'' esse problema.


CEBOLA
Argh!


ALHO
Argh!


DOBRADINHA
Argh!


SARAPATEL
Argh!


BESTEIRÓIS AMERICANOS
Filmes tipo ''Vovozona'', '' As Branquelas'', '' Todo mundo em pânico '', '' American Pie '','' Norbitt '' entre outros. Eu dispenso.


HOMOFOBIA
Sou gay. Precisa mais explicação?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O AMOR ( OU MEU NAMORADO )

12 de junho, dia dos namorados, sempre me pareceu uma data sem importância. Talvez por eu não ter namorado. Isso mesmo. Não tenho namoradO. Quem acompanha este blog sabe que sou homossexual. Afirmo que é mais difícil uma relação amorosa entre homossexuais, por isso sempre olhei com certa desconfiança alguns namoros gays que tenho visto por aí. Mas ao contrário de minha postagem do dia dos namorados do ano passado, este ano vou tentar ser menos corrosivo. Dessa vez quero falar do amor. Namoro remete a amor. Independente de ser amor homossexual ou héterossexual. '' Qualquer maneira de amor vale a pena '' diz uma canção do Milton Nascimento. Afinal, acho que é em nome do amor que as pessoas namoram, casam, etc. Ou não é?
Em nome do amor as pessoas fazem loucuras, tentam provar que amam a qualquer custo. Se suicidam e até matam. Tem gente que faz do amor uma terapia. Tem gente que usa o amor irresponsavelmente como se fosse uma droga que causasse dependência. Tem gente que não sabe amar. Tem gente que ama demais. Tem gente que ama e não é amado. Tem gente que não quer amar. Tem gente que sai da realidade quando ama. Tem gente que ama em segredo. Tem gente que ama apenas o prazer que o outro oferece. Tem gente que ama tanto o outro que esquece de amar a si mesmo. Tem gente que só ama a si mesmo. Essas pessoas eu chamo de Narcisos Ultrapassados. No livro ''Ghesas de Eros'', o poeta Paulo Bauler escreveu que quem nunca amou alguém jamais poderá amar a si mesmo. Faz sentido. Amor é estado de graça. Ou de farsa. O amor é confundido com ciúme, posse, egoísmo. O amor é traduzido em números. Amar deve ser o exercício mais complexo, mais doloroso, mais pleno que um ser humano pode fazer. É uma tarefa que nunca chega ao fim, embora eu acredite que o amor pode ter fim. Mas ele não tem hora nem pra chegar nem pra acabar. E o amor é um tema que nunca envelhece.Confesso que tenho medo de amar. Não sei o que é o amor. Nunca amei ninguém. Já me apaixonei mas é diferente. Acho que poucos sabem o que é o amor. Por isso tantos poemas são escritos. Tantas canções são feitas. Por isso tanta gente vive dizendo ''eu te amo''. Por não saber o que é o amor. Eu mesmo já cometi esse erro. Vocês devem estar se perguntando como posso dizer tudo isso se nunca amei. É que leio bastante sobre o assunto e ''compartilho'' certos casos. Sirvo de confidente ( parece que só sirvo pra isso ). E olha que atualmente desconfio estar amando uma pessoa. Mas disso eu não vou falar pois é um pouco difícil.
Minha ideia nessa postagem era analisar os namoros da cena gay ( já que essa é minha praia ), mas estava certo que criticaria muito o comportamento dos outros e acabaria abalando as estruturas, então, resolvi ser mais ameno. Mas saliento tudo que escrevi no meu texto do dia dos namorados do ano passado.
Alguns amigos me refutam quando digo que prefiro ser solteiro mas ao mesmo tempo sinto uma vontade enorme de ter um namorado sério. Aí meus amigos metem o pau! ( no bom sentido )...
Namoro pra mim é coisa séria que só difere do casamento por não ser preciso morar junto. Embora essa hipótese já tenha passado pela minha cabeça algumas vezes ( Santa pieguice! ).
Nos dias de hoje, em que o amor pode estar sendo disfarçado por alguma comodidade, em que os critérios para a escolha de um pretendente passem e pesem na beleza, no corpo sarado, no tamanho do pênis e na idade, eu encontrei um namorado perfeito: Eu.
Me explico! É que me conheço bastante, sei de meus limites, minhas dúvidas, minhas certezas, meus medos, meus erros, minhas neuroses, meus acertos, meus horários, minha situação financeira. Então, percebi que ninguém melhor que eu mesmo para ser meu namorado, meu amigo, meu amante. Decisão boba? Infundada? Afundada? Quem sabe?
Essa escolha não se trata de estar em frente à tv assistindo a um filme pornográfico e ficar se masturbando. Nem de sair às ruas, frequentar saunas e boates atrás de muito sexo selvagem ( coisa que eu adoro, diga-se de passagem ). Trata-se de prorrogar o máximo que eu puder o encontro com o meu prometido ( ai, que lindo!). Trata-se de ser a favor da preparação para o amor. Trata-se de ser contra a hipocrisia, a infantilidade, a inviabilidade que grassam nos relacionamentos e que na maioria dos casos, as pessoas insistem em manter.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

CIGARRO

Em abril completei um ano como fumante. Não estou pedindo aplausos por isso. Sei que mesmo sendo uma droga lícita, é bastante prejudicial. Mas só quem é fumante sabe quanto é bom dar uma tragada quando se está nervoso, ansioso, esperando alguém, depois de acordar, antes de dormir e logo após as refeições. Principalmente o almoço.
Logo que ingressei nesse mundo, achava muito bonito ver mulheres fumando. Muitas delas sabem colocar muito charme nesse ato simples. Alguns homens também revelam tanta beleza ao fumar que cheguei a duvidar dos malefícios do cigarro.
Outro dia minha mãe reclamou que um exame médico mostrou que seus pulmões não estavam normais. Fiquei confuso pois não fumo dentro de casa quando minha mãe está presente. Depois, lembrei que há uma colega de trabalho dela que fuma há anos. Bom, se por apenas ''conviver'' com fumantes, os pulmões de minha mãe já não são os mesmos, os meus com certeza já não tem mais salvação. Digo isso pq fumo uma carteira de cigarro por dia. E me sai caro. O cigarro que eu uso custa $ 5,00 reais. Nem sei quanto gasto em um mês. No dia em que fizer a contabilidade, talvez eu tenha uma parada cardíaca. Eu fumo o Djarum Black, sabor menta. Aquele cigarro preto que segundo boatos contém uma certa porcentagem de maconha. O que duvido muito, mesmo depois de , numa certa ocasião, ter ficado bastante tonto depois de tragar, a ponto de quase desmaiar. Logo no início eu nem sabia tragar. Guardava a fumaça na boca e depois soltava. Depois aprendi sem dificuldade.
Quando eu era office-boy, nos meus intervalos para descanso, ia para a área de fumantes e passava meus minutos livres fazendo fumaça. E tinha que aguentar as caras de nojo que os não-fumantes faziam. Ora, será que eles não sabiam ler? Várias vezes eu apontava para a placa que ficava ao lado dos bancos onde estava escrito: ÁREA RESERVADA PARA FUMANTES.
Convencidos, mas ainda indignados, os não-fumantes se retiravam. E a minha indignação?
Quer dizer que eu tenho que respeitar quem não fuma e não posso ser respeitado por eles? Vão se danar! Eu tenho o direito de fumar, queridos, até pq sou eu quem sustenta meu vício. Confesso que sou dependente, mas fazer o quê?
É melhor que roubar e matar, não acham?
Outra coisa que não aceito é a crítica de ex-fumantes. Eles deveriam ser os primeiros a nos entenderem, mesmo que de vez em quando soltassem suas alfinetadas. Seus belíssimos conselhos para que deixemos de fumar e blá, blá, blá...
Quem nunca fumou não nos entende e quem é ex-fumante se sente no paraíso por ter largado o vício. Então, fumantes do mundo todo, uni-vos! Nem que seja somente para pedir cigarros uns aos outros. Isso eu não faço. Só peço cigarro a quem é meu amigo. Morro de vergonha de pedir cigarro a um desconhecido. Além do mais, o cigarro que eu fumo, poucos fumam. E sou vítima dos pedintes exatamente por fumar um cigarro um pouco diferente. Não sou de negar cigarro pois tenho plena consciência de quão necessário é aquela tripa de papel. Mas detesto perceber que estão se aproveitando de minha boa vontade. Muitas vezes eu divido meus cigarros com os amigos. E não gosto de fumar sozinho quando a pessoa que está ao meu lado também é fumante.
Nesses momentos, que eu chamo de sessões fumacísticas, o diálogo flui...
E pra quem não sabe, cigarro é um grande estimulante. Eu, por exemplo, adoro fumar quando estou escrevendo. Fumo também quando leio, quando assisto filmes e quando ouço música.
Só não gosto de fumar quando estou andando. Tenho a leve impressão que o cigarro acaba mais rápido. Talvez por causa do vento. Fumar na praia então é um desperdício.
Acho que esse recente aumento absurdo no preço dos cigarros não passa de mais uma manobra para acabar com eles. Perda de tempo! Perda de tempo também são aquelas imagens, ora grotescas, ora idiotas, que estampam as embalagens. Todos nós sabemos do mal que estamos causando a nós mesmos. Não precisamos ser lembrados disso a todo momento.
Lembrei de um verso muito legal da Alice Ruiz que diz o seguinte: '' O Ministério da Saúde adverte e eu me divirto ''.
Então, quer um trago?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

PRA VOCÊ

Escolhi um poema pra ilustrar nosso início de relacionamento. Espero que goste.


DA CHEGADA DO AMOR ( Elisa Lucinda )



Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,(não o caso)mas cuja demora do ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.
Sem senãos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor não omisso
e que sua estórias me contasse.
Ah, eu sempre quis um amor que amasse.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

UM ANO DE TANTAS COISAS. FELIZ ANIVERSÁRIO!

No dia 10 de abril de 2008 eu inaugurava meu blog. Nem sabia direito o motivo de ter criado um mas resolvi me aventurar. De lá pra cá fiz entrevistas, postei poemas, critiquei, defendi, desabafei. Aqui indico outros blogs. Vários sites. É um espaço para todos os assuntos. Não sei se é de bom gosto. Acho que não há muita coisa interessante por aqui, não. Mas para mim, meu blog é necessário e pretendo continuar com ele. Ainda há muito a ser escrito aqui. Muitas denúncias, muitos poemas, muitas críticas e por aí vai.
O que me deixa feliz é ver os comentários sempre sinceros de meus poucos leitores, sempre fiéis.
Os que não deixam comentários devem ter seus motivos e eu respeito isso.
E é em respeito a todos que a partir de hoje vou fazer uma espécie de votação pra saber qual assunto meus leitores gostariam de ver por aqui. Ou qual personalidade ( famosa ou não ) deveria ser entrevistada por mim.
O post de hoje é só isso. Vim parabenizar a mim mesmo por esse empreendimento que, se Zeus quiser, ainda vai me render bons frutos.